Com o início da Piracema e do período de defeso — quando a pesca fica proibida para garantir a reprodução dos peixes —, este será o último fim de semana com pesca liberada nos rios de Mato Grosso do Sul. Em 2025, as restrições começam em 1º de novembro, no Rio Paraná (com exceções para espécies exóticas); e em 5 de novembro, nos demais rios de Mato Grosso do Sul.
Nas lojas de artigos de pesca da Capital, a movimentação começa a crescer já nesta quarta-feira (29). Enquanto pescadores aproveitam os últimos dias antes da proibição, comerciantes já se preparam para o período de baixa nas vendas.
Na loja localizada na Rua 13 de Maio, a empresária Keilyely Moraes explica que essa época do ano costuma ser desafiadora para o setor.
“A Piracema é sempre um período mais difícil para quem vive do comércio de pesca. Nosso Estado ainda não tem a pesca esportiva regulamentada, como em Mato Grosso, e isso faz muita diferença para o segmento”, afirma.
Segundo ela, a alternativa para manter as vendas ativas tem sido mirar em outro público, os frequentadores de pesqueiros. “Quem gosta mesmo de pescar não deixa o hobby de lado. A gente percebe que esse pessoal migra para os pesqueiros, e esse público é que estamos tentando fidelizar, com promoções e novas estratégias”, explica.
Mudança de endereço e foco no digital
A empresária revela que, após o dia 5 de novembro, a loja passará por mudanças. Além de mudar de endereço, o negócio vai priorizar o atendimento on-line, com investimentos em site, catálogo digital e inteligência artificial para agilizar o contato com os clientes.
“Percebi que o público da internet é muito forte. Tenho muitos clientes que chegam até mim pelo Instagram ou WhatsApp, já pesquisaram o produto e vêm retirar. Então, decidi focar nesse público”, comenta.
Ela explica que o novo espaço continuará com atendimento presencial, mas com prioridade para o e-commerce. A ideia busca reduzir custos e expandir as vendas para outras regiões do país. “Hoje, meu foco é nacional. Eu quero atingir pescadores de todas as regiões, inclusive da Amazônia, onde estive, recentemente, para entender melhor o mercado”, diz.
A empresária aposta ainda em ferramentas tecnológicas para otimizar o atendimento. Um sistema de automação, integrado ao WhatsApp, vai usar inteligência artificial para responder dúvidas dos clientes a qualquer hora.
‘Período mais aguardado do ano’
Se para os lojistas a Piracema representa apreensão, para os donos de pesqueiros, o período é comparado ao Natal do comércio — a melhor época do ano para as vendas.
Clayton, proprietário de um pesqueiro em Campo Grande, afirma que a procura deve crescer 30% durante esse período, por isso focou em repor os estoques dos peixes de cativeiro e ampliar a divulgação nas redes sociais.
“Assim que começa a Piracema em Mato Grosso do Sul, a busca por pesqueiros, tanto os de pesque e pague quanto os de pesque e solte, aumenta bastante”, destaca.
Além disso, ele destaca que, em dezembro, começam as férias escolares, e os pais veem nos pesqueiros uma opção ao ar livre para levar as crianças. “Hoje em dia, os pesqueiros de Campo Grande contam com estrutura completa para lazer. Não é só a pesca, também tem playground, área kids, restaurante, lanchonete, piscinas etc”.
O que pode durante a Piracema?
Embora os períodos estejam relacionados, a Piracema é o fenômeno da migração dos peixes, quando os cardumes sobem os rios em direção às cabeceiras para desovar e garantir a reprodução. Enquanto isso, o defeso é o período em que as espécies estão protegidas por lei. Ou seja, a pesca é regulamentada por regiões.
Conforme a PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul), na Piracema fica proibida a prática de todos os tipos de pesca em MS, incluindo modalidades como ‘pesque e solte’, pesca amadora e pesca profissional nos rios. Além disso, o transporte de pescado também está vedado.
Porém, há exceções, conforme ressalta capitão Ortiz, da PMMS: “A única exceção é para a captura de espécies exóticas nos lagos da usina de Jupiá e Sergio Mota”, explica.
Ainda, a pesca de subsistência, praticada por famílias ribeirinhas que dependem do peixe para sua sobrevivência, segue permitida. Mesmo assim, somente está autorizado retirar do rio o necessário para a alimentação, sem permissão para estocagem.
E, para aqueles que apreciam a pesca como passatempo ou profissão, há a opção de frequentar pesqueiros para continuar a prática neste período. Os pesqueiros operam de duas maneiras: a pesca esportiva, em que a pessoa captura o peixe e o devolve à água, e o pesque e pague, em que o cliente tem a oportunidade de comprar o peixe após capturá-lo.
Fonte: Midiamax
Matéria: Lethycia Anjos, Liana Feitosa
Foto: (Liana Feitosa, Midiamax)






